Amor.
Uma sentimento impar, que em muito tem em mim. Sinto e enxergo-o (principalmente hoje) de uma forma diferenciada, diria, com outro olhar, outro prisma... e quanto mais eu vou entendendo-o mais vou percebendo a individualidade do mesmo e o quanto é difícil falar e discutir sobre ele. Mas...quantas reguas de medições temos para dimensionar o amor, ainda que não seja possível medi-lo. As emoções ganham concretude pela fisiologia e aí, aquilo que antes era abstrato torna-se uma reação corpórea em que por vezes nos julgam ou subjulgam.
Sentir é estar vivo. Se amar propicia sentimentos tão únicos, fortes e quase indecifráveis...que maneira linda e gostosa de viver.
O fato é, que, há muita resistência em seguir por esse espaço desconhecido, quase furtivo, que incedeia-nos sem prévio aviso. Quando mal percebemos já estamos envolvidos e passamos a tentar retomar qual de fato foi o instante do 'start' (se é que é possível tanta precisão). Enquanto evita-se o desconhecido ou o que dele desconhecidamente poderá surgir, mais desconhecido permanecerá.
Amar é aventurar-se. É buscar a certeza, sem que de fato ele esteja ali, e não sair com a certeza para ir em busca. Amar não é comprar...nem esperar...é construir. E aqui, não é a construção poética, mas a construção sim de uma história, de uma cumplicidade, de uma maneira de comunicar-se por um olhar sem expressões, em que os globos oculares dizem mais do que uma dezena de palavras. Construir não quer dizer solidificar...mas erguer. Porquê? porquê paredes podem cair..torres podem ruir...mas quem tem o espirito de construir não se abate e retoma. Os que buscam 'obras', por vezes a 'querem pronta' ou quando não, são intolerantes ao aparecimento de qualquer trinca.
Somos esse Brasil ao sonho de 'um português' e esse o foi em simpatia ao sonho de um espanhol...
Navegantes que com apenas sextantes e estrelas rumavam a um mundo dito finito, plano como uma prancha. A esses sobrepuseram-se astronautas, homens que confiaram em maquinas não testadas, em teorias não aplicadas...por isso teorias. Acreditaram naquilo que apenas eles acreditavam vendido a eles pelo 'sistema' tecnocrata da tecnologia, soberania e desenvolvimento.
Antes deles, tantos outros em tanto inventos que absurdo eram enquanto no papel, tal como dizer hoje que em 5 anos haverá uma maquina capaz de transportar matéria.
Amar é aventurar-se. Amar...sim, é para poucos. Na forma verdadeira, e não no 'fake' "ficar". Isso é para os que embrenham-se na mata e correm ao uivar do vento adentro de um tronco seco ou entre pedras...foge a um trovão achando ser o rugido de um leão.
Amar...amar é entrar na mata ao estilo Indiana Jones. Com chapeu e chicote, ainda que este possa ser substituído por uma faca (em quem muitos prefiram o chicote!(sic).
Amar é sonhar e acreditar nos sonhos. Acreditar em cada bombom de chocolate em forma de coração embalados em aluminio vermelho, enlaçados por fitas douradas. É preciso ter uma porção criança para poder amar.
Há os que precisem sentir o cheiro, ver a roupa ou a ausência desta, 'sentir o toque', para de fato amar..sentir algo. Digo que, todas as sensações possíveis de um amor me são afloradas quando em minha caixa postal aparece o nome indicando novo email da pessoa amada. Minha capacidade humana resgata todos os valores minémicos quando escuto a voz ao telefone.
A visão é um sentido que encurta a distância. Explico: Antes de conhecer-mos a algo, próximo teremos que estar para perceber todas as caracteristicas, como cheiro, sabor, o toque da superfície, o som, e aí, vendo o objeto, uma 'ficha mental', um verdadeiro profile é formado. Posso por exemplo dizer aqui o que é algo doce, salgado ou apimentado, que aqueles que já possuem em seu histórico a experiencia compreendem do que se trata. Quando estamos andando à rua, ou passeando no shopping e passamos ao lado da praça de alimentação, não precisamos passar perto de algo apetitoso para que nos provoque sensações de fome e desejo de saceio. (é disso que fazem uso os pipoqueiros de rua...churrascarias...dogueiros...)
Ao ver, o sabor, o cheiro, a textura na boca e tal...a sensação que sabemos que irá provocar emergem mesmo a distância.
Assim, se estamos com fome, evitamos passar 'nessas regiões' para que não sejamos tomados por 'forças' que nos dominam. Em conjunção com as forças primitivas de nossa especie: sobrevivência.
Essa mesma força é que mascara e afasta do amor se não houver uma personalidade forte e determinada a enfrenta-la.
Vamos e somos capazes sim, de sentir qualquer coisa por uma pessoa que nos é atraente, estando ou não perto de nós (afinal, não é esse o porque das revistas eróticas, boates...o olhar na passagem da mulher na praia? não foi 'Olhando' que uma das musicas brasileiras mais bonitas e gravadas em diversos idiomas foi composta?(Garota de Ipanema)
Mas...sentir, causa. Pode causar prazer...dor, desconforto ou euforia...Tesão, paixão...ou mesmo desilusão. A esses habitantes dessa selva (para muitos) chamada amor é que teme-se.
Diz-se que é no momento em que a coragem se faz pertinente que diferenciar-se-á os homens dos meninos. E no caso do amor, é preciso ainda ter uma pitada de menino(a).
Quer ser feliz? Aventure-se. Como? Assista a Van Helsing, Gladiador, O Patriota, Coração Valente, Indiana Jones, Star Wars e por aí vai. Porquê esses à Romances puros? Aventura...aventura. E depois, para finalizar, Lua de Fel.
O amor é plastico. Não de formas para o amor...ele se forma por sí. Não espere, viva, porque o amanhã poderá não chegar. Não pense no ontém...ele já passou e não vai voltar, nem pode ser reeditado, ser revivido, nem com os mesmo personagens e nem colocar novos atores para interpretalos.
Amar é viver a história que será construída...constituída e não uma história pronta que pega-se em locadora de DVD. Extraindo de um post que venho rascunhando, o jargão do senso comum é dizer:
'eles foram feitos um para o outro'
ou
' será que somos feitos um para o outro'
ou ainda
'Não dá! Acabou! Não fomos feitos um para o outro'.
Sem aumentar muito as opções, diria que a terceira está correta em partes.
Sim, não fomos feitos um para o outro, aliás, não fomos feitos meeesmo...e nesse processo, nunca estaremos prontos. Somos seres em construção...a cada fase de nossa vida.
Um rapaz conheçe uma moça. Ele, médico, ela engenheira civíl. Começam exercer suas carreiras profissionais logo que casam. Histórias que seguem paralelas. Passados 21 anos, dos quais 7 foram dormindo, 7 trabalhando e os outros 7 divide-se em todas as outras coisas como horas preso no transito, supermercado e tal... assim, o trabalho, de forma firme terá contribuído na formação dessa pessoa, juntamente com o seu ambiente. Ao termino desse período, ele para ela diz: Você esta tão diferente da pessoa que eu conheci...em que ela responde da mesma forma. Pessoas que foram forjadas pelos convivios sociais distintos.
Isso é determinante e sem chance para esse casal? Não...desde que tenham decidido fugir a primeira parte da ultima opção:
Nâo dá. Acabou.
A isso posta-se de forma a 'fazer-se' para o outro. Não em posição de negação da própria identidade, mas que por meio de uma ligação estreita, as permissividades e concessões vão se somando, revesando de forma natural, em um querer seu pelo outro, e não pelo outro em si como uma coisa a ser usada. Não usar de doação incondicionada...mas trocas acordadas, em que muitas vezes não é e melhor que não seja explicita, porque deve ser habitual e não contratual.
Fazer-se para o outro e fazer por si mesmo também, e isso é fazer pela relação e isso é fazer para a felicidade de ambos. Pensar a dois, e não em um pelos dois.
O amor...acaba por sobrepor-se a tudo sem tomar o espaço de nada.
Vejo a pessoa que amo a cada esquina (mentes poluidas a de voces, heim...não é no corpo de outra não!). Sejam nas referencias, em algo que foi dito, vivido, em alguem que lhe expressa algum verbete que no seu intimo pensa...nossa!o que ela fala!. Nas vitrines que adornam tantos adereços e peças que lhe é de desejo. Na propaganda da TV, no filme que vou ver... na cor que estou usando...na barba que deixei por fazer... na placa do carrinho que fica aqui a frente escrito:
Churros.
Esse é um post que não termina... seja pelo assunto, seja pelo momento, seja por minha vontade forte de falar sem dizer.
Assim,
...to be continued.